segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Luzes da Cidade (City Lights) – Charlie Chaplin, 1931



Poster Oficial

            Considerado o maior artista cinematográfico de todos os tempos, e um dos "pais do cinema", junto com os Irmãos Lumière, Georges Méliès e D.W. Griffith, Sir Charles Spencer Chaplin (1889 – 1977) iniciou a sua carreira no cinema há exatos 100 anos, em 1914, nos estúdios da Keystone.

            A Obra do artista contém 81 filmes, quase todos de sua autoria, produzidos entre 1914 e 1967. Chaplin rapidamente se consolidou como o ícone do cinema, conhecido principalmente por seu personagem The Tramp (no Brasil, O Vagabundo).

Chaplin, como O Vagabundo.


            O longa-metragem The Circus (O Circo), lançado em 1928, foi o último filme legitimamente mudo de Chaplin antes de a indústria cinematográfica evoluir para o cinema "falado", o que causou o declínio da era dos filmes mudos.

City Lights (1931), foi contra a corrente e tornou-se um sucesso de público e crítica, mesmo sem falas. No entanto, tecnicamente, o filme não era totalmente mudo. Embora o diálogo seja apresentado em letreiros, a obra possuía música sincronizada e efeitos sonoros (como o toque do telefone e o bater de portas).

Luzes da Cidade é um ícone da história. Além de ter uma das mais aclamadas estreias de todos os tempos, o longa é algum dos favoritos de grandes diretores, como Orson Welles, Stanley Kubrick, Federico Fellini e Woody Allen.

Charlie Chaplin e Virginia Cherrill.


O enredo gira em torno do Vagabundo (Charlie Chaplin), vagando sem dinheiro e sem onde morar, e de uma jovem e pobre florista cega (Virginia Cherrill) pela qual ele se apaixona. A garota o confunde, ao ouvir o bater de uma porta de carro, com um milionário. O vagabundo, para não desapontá-la, mantém a sua fantasia.

 Posteriormente, ele impede um milionário bêbado (Harry Myers) de se suicidar. Devido ao ato heroico do Vagabundo, os dois tornam-se grandes amigos, mas sempre quando o milionário fica sóbrio, não se lembra mais do seu parceiro nem do que ocorreu enquanto estava bêbado.

No decorrer da história, nosso protagonista descobre que o aluguel da garota está atrasado e que ela e sua avó (Florence Lee) correm o risco de serem despejadas de seu apartamento.

Harry Myers e Charlie Chaplin. 



Com o objetivo de conseguir dinheiro para a sua amada, o personagem de Chaplin começa a trabalhar como varredor de ruas e até mesmo como pugilista em uma cômica competição de boxe (uma das mais hilárias cenas de todo o filme).

Em determinado momento, o milionário, novamente bêbado, dá mil dólares ao vagabundo que assim pagará não só o aluguel, mas também uma operação para os olhos da florista.

Nosso amigo é injustamente acusado de roubar o dinheiro pelo milionário, já sóbrio. O vagabundo consegue fugir com a bolada e entrega-la para a garota, dizendo que irá embora e que se ausentará durante alguns meses. Logo depois, ele é capturado e enviado a um presídio.

A hilária luta de boxe.


Vemos em Luzes da Cidade uma brilhante atuação de Chaplin, que consegue, mesmo em uma história tão bela e centrada, dar pitadas de seu humor inocente que consegue nos cativar e fazer-nos rir sem parar. Aqui vemos também, o ensaio de uma despedida do personagem calado que conseguiu sobreviver aos “tempos modernos” da nova fase do cinema.


Curiosidades:

- Era o filme favorito do diretor Orson Welles;

- Charles Chaplin rodou 342 vezes a cena em que o vagabundo compra uma flor da florista cega. O motivo de tantas repetições foi que Chaplin não conseguia encontrar um modo satisfatório de mostrar que a florista achava que o vagabundo era na verdade um milionário;

- Perto do fim das filmagens Chaplin demitiu a atriz Virginia Cherrill após ela chegar atrasada aos sets. Era intenção de Chaplin rodar novamente todas as cenas de Cherril com a atriz Georgia Hale em seu lugar. Chaplin chegou a rodar algumas cenas com a substituta, mas logo percebeu que, se fosse rodar todas as cenas já prontas novamente, teria um custo adicional que levaria sua produtora à falência. Deste modo ele decidiu por recontratar Cherrill, que apenas aceitou retornar ao trabalho após ganhar um aumento de 100% em seu salário.


Onde Comprar:



A Versátil Home Video, lançou no ano passado uma coleção com a obra completa de Charlie Chaplin. Esta é a opção com melhor qualidade no mercado nacional, no momento, infelizmente, indisponível.

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Trailer do filme.


Ficha Técnica:

Gênero: Comédia
Idioma: Mudo   
Cor: P&B
Direção: Charlie Chaplin
Roteiro: Charlie Chaplin
Elenco: Allan Garcia, Charles Chaplin, Hank Mann, Harry Myers, Virginia Cherrill
Produção: Charlie Chaplin
Fotografia: Charlie Chaplin
Trilha Sonora: Charlie Chaplin
Duração: 81 min.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

O Exorcista ( The Exorcist) - William Friedkin, 1973


Poster Original


   O primeiro filme de terror surgiu quase que junto com o próprio cinema.

            Se em 1895 L'Arrivée diun Train a La Ciotat dos irmãos Lumiére era considerado o primeiro filme da história à vir a público, um ano após, em 1896, Le Manoir du Diable , de Georges Méliès, já estava nas salas de exibição como o pioneiro do gênero.

Le Manoir du Diable (1896), de George Méliès. Filme Completo.


            De lá para cá diversas obras entreteriam e assustariam multidões ao redor do planeta: O Gabinete do Dr. Caligari (Das Cabinet des Dr. Caligari), de 1919; Nosferatu (Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens), de 1922; os Monstros clássicos da Universal Pictures; O Bebê de Rosemary (Rosemary's Baby), de 1968; A Profecia (The Omen), de 1976; as sombrias histórias de Zé do Caixão, do cineasta brasileiro José Mojica Marins; O Iluminado (The Shining), de 1980; e, mais recentemente, A Bruxa de Blair (The Blair Witch Project), de 1999, são alguns dos inúmeros exemplos de grandes produções do horror. Porém nenhum filme foi mais impactante e assustador do que O Exorcista.

A casa da família MacNeil


            William Friedkin já era um diretor consagrado com um Oscar por The French Connection (Operação França),de 1971, quando aceitou dirigir O Exorcista, lançado em 1973.

            Friedkin usava várias artimanhas para extrair interpretações realistas de seus  atores e atrizes. Por exemplo, durante as filmagens da seqüência em que o Padre Karras (Jason Miller) ouve atentamente a gravação da garota possuída pelo demônio, o toque do telefone assusta o ator. Na realidade, o diretor disparou um tiro de revólver perto de Miller, que, desavisado, assustou-se de verdade.  Táticas como esta renderam-lhe um grande sucesso.

William Friedkin 


            O filme tem início em um sítio arqueológico na cidade de  Hatra, no Iraque, quando o arqueologista e padre Lankester Merrin (Max von Sydow) visita uma escavação onde foi encontrada uma pequena escultura de pedra de uma criatura maligna, chamada Pazuzu, que na mitologia suméria, era o rei dos demônios do vento, filho do deus Hanbi.

            Enquanto isso, em Georgetown, nos Estados Unidos, Damien Karras (Jason Miller), um jovem padre da Universidade local, ao lidar com a doença terminal de sua mãe, começa a ter dúvidas sobre a sua fé.


Jason Miller como o Padre Karras


            Chris MacNeil (Ellen Burstyn), uma atriz que está filmando na cidade, percebe estranhas mudanças de comportamento em sua filha de 12 anos, Regan (Linda Blair). A menina tem uma convulsão e demonstra poderes sobrenaturais como levitação e força descomunal, além fala palavrões e blasfêmias com uma voz demoníaca masculina.

Inicialmente, Chris pensa que as mudanças de Regan estão relacionadas à sua entrada na puberdade, mas os médicos suspeitam de uma lesão em seu cérebro. A criança é submetida a uma série de exames que nada aponta de anormal. Então, o médico recomenda Regan a um psiquiatra,o qual a garota ataca violentamente. 

Chris MacNeil (Ellen Burstyn) 

            Os estranhos fenômenos têm continuidade, e, esgotados os recursos da ciência, um dos médicos recomenda um exorcismo seja realizado, alegando que os sintomas de Regan só podem ser o catastrófico resultado de uma possessão demoníaca.

            Em desespero, Chris consulta o padre Karras, uma vez que ele, além de padre, é psiquiatra. Durante o período em que Karras observa Regan, a garota constantemente refere-se a si própria como o Demônio.

Regan MacNeil (Linda Blair)


Karras inicialmente acredita que a menina sofre de uma psicose, até que se lembra que esta conversou  em um idioma estranho, que o sacerdote descobre ser inglês falado de trás para frente. Apesar de suas dúvidas, Karras decide pedir permissão à Igreja para conduzir um exorcismo. A Entidade autoriza de imediato, enviando o experiente Padre Merrin para auxiliá-lo.

Linda Blair como Regan


O que vemos em seguida são longos momentos de um embate onde os maiores desafios de Karras são as dúvidas, as mágoas e os arrependimentos. Não há como ficar indiferente após assistir O Exorcista. Ou você o ama, ou o odeia. Uma história fantástica, sombria e arrepiante, que tira o fôlego e o sono de muitos espectadores há 41 anos.  

Trailer Oficial

Sequencias:

Foram lançadas algumas continuações do filme:

- O Exorcista II - O Herege (Exorcist II: The Heretic), de 1977;
 - O Exorcista III (The Exorcist III), de 1990;
- O Exorcista - O Início (Exorcist: The Beginning), de 2004, (Este se passa cronologicamente em uma época anterior ao primeiro filme);
- Domínio: Prequela do Exorcista (Dominion: Prequel to The Exorcist), de 2005.

Nenhuma destas obras manteve a qualidade da original.

Linda Blair como Regan

Versão Turca:


Seytan (1974) é um remake de O Exorcista feito na Turquia pelo diretor Metin Erksan. O filme copia cena a cena o original americano. Por conta de cenários, maquiagens e figurinos precários, o longa acaba por ser mais engraçado que assustador. Confira:



Curiosidades:

- O Exorcista foi o primeiro e único filme de terror indicado ao Oscar na categoria Melhor Filme;

- O livro e o filme foram baseados no exorcismo de Roland Doe, pseudônimo dado pela igreja católica para um garoto supostamente vítima de possessão nos anos 1940 em Maryland, nos EUA. Foi o único de três exorcismos sancionados pela Igreja no país, aprovado depois de acontecimentos sobrenaturais terem sido testemunhados por nove padres e mais de trinta testemunhas;

- O filme ficou com fama de amaldiçoado ainda durante as gravações, com muitos integrantes da equipe de filmagem relatando eventos inexplicados, como um incêndio que destruiu parte do set. Alguns atores também morreram antes mesmo do filme chegar aos cinemas;

- Muitas pessoas desmaiaram durante as sessões do filme nos cinemas, incluindo um homem que quebrou a mandíbula. Muitos cinemas deixaram paramédicos de plantão para tratar de desmaios e pessoas que ficavam histéricas durante o longa;

- O quarto onde grande parte do filme foi rodada teve que ser constantemente refrigerado, para que se pudesse capturar com exatidão a respiração gélida dos atores. Para tanto, foram usados quatro aparelhos de ar condicionado, todos ligados simultanemente;

- Na sequência em que a personagem de Ellen Burstyn é arremessada para longe por sua filha possuída, a atriz bateu violentamente com o coccix contra a cama e gritou de dor no mesmo instante. Esta cena foi filmada e mantida no filme.

Linda Blair como Regan


Premiações:

Oscar 1974:
- Melhor Roteiro Adaptado
- Melhor Som

Globo de Ouro 1974:
- Melhor Filme - Drama
- Melhor Diretor - William Friedkin
- Melhor Atriz Coadjuvante - Linda Blair
- Melhor Roteiro


Onde Comprar:



As versões em DVD e Blu-ray estão disponíveis nos links a baixo. Ambas contém 11 minutos de cenas excluídas na época.

DVD:

Blu-ray:
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/3425635

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Ficha Técnica:

Gênero: Terror
Direção: William Friedkin
Roteiro: William Peter Blatty
Elenco: Barton Heyman, Ellen Burstyn, Jack MacGowran, Kitty Winn, Lee J. Cobb, Linda Blair, Max von Sydow, Robert Gerringer, Vasiliki Maliaros
Produção: William Peter Blatty
Fotografia: Billy Williams, Gerry Fisher, Owen Roizman
Trilha Sonora: George Crumb, Jack Nitzsche

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

A Vida é Bela (La vita è bella) - Roberto Benigni, 1997


 
Poster Original

Roberto Benigni é um italiano da Toscana que ficou mundialmente conhecido devido à sua grande obra realizada em 1997.

Considerado por muitos como o maior filme italiano de todos os tempos, A vida é bela retrata, de maneira cativante, tanto a vida simples de um pequeno comerciante na cidade grande, quanto a luta que este trava para “salvar” seu filho da perversidade de uma guerra.


Roberto Benigni como Guido Orefice

Com cenários estonteantes, atuações impecáveis e uma belíssima trilha sonora, a obra nos cativa pouco a pouco e quando percebemos, já estamos presos à esta fascinante história.

            A primeira parte do longa se passa na Itália, antes da guerra explodir e ter início a perseguição de Hitler aos Judeus. Vemos aí as aventuras de Guido Orefice (Roberto Benigni), um judeu que encara todas as situações de seu dia-a-dia sempre com bom humor e um sorriso no rosto.



Guido e Dora


            Nosso protagonista logo conhece a italiana Dora (Nicoletta Braschi), e o envolvimento dos dois acaba gerando uma nova paixão. O casal se encontra sempre de surpresa, e após vários encontros decidem ter uma vida em conjunto.

            Temos aí um corte de cinco anos, quando Guido, seu pequeno filho Giosuè (Giorgio Cantarini), fruto de seu casamento com Dora,  e todos os judeus da cidade são levados aos campos de concentração na Alemanha.


Guido, Dora e Giosuè


            O pequeno garoto não compreende o que está acontecendo. É então que vemos uma das maiores provas de amor de um pai por seu filho: Guido explica à Giosuè que todos estão em um jogo e que quem perde volta para casa, enquanto o vencedor ganha um tanque de guerra. Dia após dia, o protagonista tem de se esforçar para manter sua fantasia, enquanto nossos personagens enfrentam todo o tipo de desafios para sobreviver.

            Uma história emocionante, que não trata apenas de guerra, mas sim da força de um amor e das belezas da vida.


Guido e Giosuè


Curiosidades:

- Dora, a mulher do persongagem Guido, é interpretada por Nicoletta Braschi, mulher do ator Roberto Benigni;

- Roberto Benigni afirmou que o título do filme é baseado em uma citação de Léon Trotsky. Aguardando a morte no exílio, ele escreveu que apesar de tudo "life is beautiful", em português "a vida é bela";

- Antes de dormir, os personagens Guido e Ferruccio fazem algumas brincadeiras sobre o filósofo alemão Arthur Schopenhauer, o escritor favorito de Adolf Hitler.




Premiações:

OSCAR - 1999
Melhor Ator - Roberto Benigni
Melhor Filme Estrangeiro
Melhor Trilha Sonora - Drama

FESTIVAL DE CANNES - 1998
Grande Prêmio do Júri

CÉSAR - 1999

Melhor Filme Estrangeiro

GOYA - 2000

Melhor Filme Europeu

Onde Comprar:


            Na livraria Saraiva, você encontra o DVD e o Blu-ray de A Vida é Bela, lançados pela Imagem Filmes:

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Ficha técnica:


     A Vida é Bela
("La Vita È Bella")
Gênero: Comédia/Drama
Produção: Itália, 1997
Duração: 116 min (colorido)
Direção: Roberto Benigni
Roteiro: Roberto Benigni e Vincenzo Cerami
Elenco: Roberto Benigni, Nicoletta Braschi, Giustino Durano, Lidia Alfonsi, Sergio Bini Bustric, Giorgio Cantarini, entre outros
Fotografia: Tonino Delli Colli
Música: Nicola Piovani
Direção de arte: Danilo Donati 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Os bastidores de 2001: Uma Odisseia no Espaço em 100 imagens

            2001: Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick é um dos maiores filmes de todos os tempos. O longa abriu espaço para o sucesso dos filmes sobre ficção científica, e até hoje, 46 anos depois de seu lançamento, é referência no assunto.

           Abaixo apresentamos 100 raras imagens dos bastidores de gravação. Para visualizar melhor, basta clicar na foto.

             Para uma visualização mais agradável, deixo esta sugestão: